Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

As flores australianas, por Ian White

Quando menino, cresci no campo, em meio ao mato australiano[1], em uma área ao noroeste de Sydney chamada Terrey Hills. Eu costumava acompanhar minha avó em longas caminhadas pelo mato enquanto ela colhia ervas medicinais. A partir de seu profundo conhecimento, ela me mostrava as diferentes plantas e flores e explicava suas diversas propriedades. Seu respeito pela natureza me contagiou, assim como sua admiração pelo bush australiano, com toda a sua singularidade e imenso poder.

Geologicamente, a Austrália é o mais antigo de todos os continentes, e há certamente uma sabedoria ancestral que pode ser sentida ao se viajar por suas terras, especialmente pelas regiões áridas do interior — o chamado outback australiano —, uma sabedoria acompanhada de imensa força.

As plantas australianas evoluíram em isolamento ao longo dos últimos quarenta e cinco milhões de anos. Há cento e oitenta milhões de anos, o mundo era formado por um único bloco continental conhecido como Pangeia. Esse bloco então se dividiu com a Austrália se deslocando para uma zona climática menos temperada. Esse novo clima mais quente e seco resultou na extinção de muitas plantas, enquanto outras conseguiram desenvolver novas características que lhes permitiram sobreviver, o que levou ao surgimento de muitos gêneros e espécies raros e únicos. Hoje, a Austrália é considerada, junto com o Brasil, o país com o maior número de plantas com flores do mundo.

As plantas australianas são muito distintas, pois muitas têm folhagem espinhosa, como adaptação às áreas áridas onde crescem. Há também um aroma bastante peculiar que emana do mato australiano. Marinheiros e outros navegadores frequentemente conseguem sentir esse cheiro antes mesmo de avistarem terra firme.

Mesmo sendo ainda um garotinho, eu sabia que havia algo bastante notável no bush australiano. Ele tem uma beleza e uma força inerentes maravilhosas, há sempre muitas plantas em flor, não importa a estação. É possível atravessar o mato em pleno inverno e ainda assim ver uma explosão de cores das miríades de flores misturada aos tons marcantes e sutis do entorno. As pessoas, especialmente as do hemisfério norte, ficam muito surpresas ao ver tantas flores ao longo de todo o ano, em contraste com a floração predominantemente na primavera e no verão nos outros continentes. Hoje eu sei que as cores que notei naqueles dias em Terrey Hills — os vermelhos e púrpuras marcantes — predominam em todo o país. Metafisicamente, o vermelho simboliza a energia física bruta, e a púrpura, o aprendizado superior. É como se essas cores das flores representassem a sabedoria espiritual presente na Austrália e a nova e vigorosa vitalidade que agora também está aqui.

A Austrália sempre teve uma energia antiga e muito sábia. No momento, há também uma vitalidade tremenda neste país. Essa energia metafísica se manifesta nas essências florais do Bush Australiano e, combinada com a força e a sabedoria da sua terra, manifesta-se agora em sua flora e está encapsulada nas essências florais feitas a partir dessas plantas.

Outro fator na emergência e potência das essências florais do Bush Australiano é que as plantas a partir das quais são feitas crescem em um ambiente limpo. Ao contrário de outras grandes massas de terra, a Austrália é relativamente pouco afetada pelos flagelos da poluição nuclear e química.


[1] O autor usa a palavra bush, que significa arbusto, mas também o mato nativo de uma região. No caso específico do sistema floral, podemos considerar Australian Bush Flower Essences como “essências florais da mata típica australiana”. (N.T.)


Texto resumido retirado do livro Essências Florais do Bush Australiano, de Ian White, tradução de Janaina Carvalho, Centro de Estudos Florais, Salvador, 2025. Todos os direitos reservados.

Foto flor Waratah, por Ian White.

Comente o que achou

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *